29/04/2026
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Coreia do Sul lança caça KF-21 de série

Enquanto a Embraer e a Saab mostravam o primeiro F-39 Gripen feito no Brasil, a Coreia do Sul também dava um passo em seu programa de aviões de combate. O país apresentou o primeiro KF-21 Boramae de produção em série, que deve começar a operar ainda este ano.

A cerimônia de “rollout” aconteceu na fábrica da Korea Aerospace Industries (KAI), em Sacheon, com a presença do presidente Lee Jae Myung e outras autoridades. Em seu discurso, o presidente disse que o momento é simbólico e que o país agora tem meios próprios para proteger sua soberania no espaço aéreo. O avião mostrado foi um modelo de dois assentos, com a matrícula 26-001.

Este marco ocorre pouco mais de três anos após o primeiro voo do KF-21, que aconteceu em julho de 2022 com um protótipo. O programa, que custa cerca de US$ 12 bilhões, começou em 2016. Seu objetivo é substituir os antigos F-4 Phantom II e F-5 Tiger II da Força Aérea da Coreia do Sul, ao mesmo tempo que complementa a frota atual, que inclui aviões como o F-15K, o KF-16, o FA-50 e o F-35.

A Força Aérea da Coreia do Sul é a primeira cliente, com uma encomenda de 40 aeronaves. A Indonésia também deve comprar 16 unidades. A Indonésia participa do desenvolvimento do projeto e se comprometeu a pagar cerca de 20% dos custos. No entanto, atrasos nos pagamentos e a compra recente de outros caças trouxeram dúvidas sobre o compromisso do país.

A entrega do primeiro KF-21 de série é um passo importante na estratégia da Coreia do Sul de fortalecer sua indústria de defesa. Apesar de usar peças estrangeiras, como motores e armas, o projeto foi desenvolvido no país, o que ajuda a consolidar capacidades industriais e tecnológicas locais.

O design do KF-21 é inspirado em caças de quinta geração, como o F-22 Raptor. Nas primeiras versões, porém, o avião carrega suas armas de forma externa, o que reduz suas características furtivas. A Korea Aerospace Industries já planeja desenvolver versões mais avançadas, com compartimentos internos para armas e um maior nível de furtividade.

O desenvolvimento do caça nacional sul-coreano acontece em um contexto de crescente investimento em defesa na região da Ásia-Pacífico. Vários países têm buscado modernizar suas forças aéreas com projetos próprios ou aquisições de grande porte, refletindo um ambiente geopolítico mais tenso. A Coreia do Sul, em particular, tem trabalhado para reduzir sua dependência de equipamentos estrangeiros e fortalecer sua base industrial militar, um movimento observado em outras nações com capacidades tecnológicas avançadas.

A entrada em serviço do KF-21 também deve impactar o equilíbrio de poder aéreo regional. A aeronave se posiciona como uma opção intermediária entre os caças de geração anterior e os caros modelos de quinta geração, como o F-35. Esse nicho pode ser atraente para outras forças aéreas que buscam capacidade moderna sem o custo total dos sistemas mais avançados, abrindo possibilidades futuras para exportação além da Indonésia.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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