PRF aponta trechos críticos e reforça debate sobre duplicação da BR-262
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou um levantamento sobre os acidentes na BR-262 entre Campo Grande e Aquidauana. Os dados mostram que a maioria das ocorrências acontece nos fins de…
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou um levantamento sobre os acidentes na BR-262 entre Campo Grande e Aquidauana. Os dados mostram que a maioria das ocorrências acontece nos fins de semana, no fim da tarde e nas proximidades de Terenos e Anastácio/Aquidauana. O diagnóstico foi divulgado durante uma audiência pública em Aquidauana e reforçou a discussão sobre a duplicação da rodovia.
Os números foram apresentados pelo inspetor Francinildo Fernandes de Araújo, chefe da 3ª Delegacia da PRF em Mato Grosso do Sul. O levantamento reúne ocorrências em um trecho de pouco mais de 120 quilômetros da BR-262. Segundo a PRF, os acidentes se concentram em segmentos específicos, analisados em blocos de 10 quilômetros. Um dos pontos mais críticos fica entre os Km 370 e 380, na região entre o distrito de Indubrasil e Terenos, área com muitas curvas e grande circulação de ciclistas.
Outro trecho preocupante está entre os quilômetros 480 e 490, que inclui a área entre o posto da Polícia Militar Ambiental e os acessos a Anastácio e Aquidauana. A proximidade com os perímetros urbanos pode aumentar o fluxo de veículos para lazer e retorno de viagens. O inspetor também levantou a hipótese de que a cobertura de telefonia celular nessas áreas contribui para a desatenção dos motoristas.
A falta de atenção está entre as causas mais frequentes de acidentes, incluindo ausência de reação do condutor, reação tardia, sono ao volante e ingestão de álcool. Os tipos de ocorrência mais comuns foram saída de pista, colisão traseira, tombamento e colisão frontal. Os sábados e domingos concentram a maior quantidade de ocorrências, seguidas pelas segundas-feiras, sugerindo aumento do fluxo rodoviário no início e fim da semana. Os horários mais críticos estão entre 17h e 19h.
De acordo com a PRF, os números mostram constância no total de sinistros nos últimos anos no trecho Terenos-Aquidauana/Anastácio. Em 2020, foram 65 casos. Em 2021, 54 ocorrências. O número subiu para 71 em 2022, caiu para 63 em 2023 e retornou a 71 em 2024. Apesar de não indicar crescimento contínuo, a série histórica chama atenção pela permanência de acidentes graves e mortes. Em 2024, o trecho registrou 29 sinistros graves e 11 mortes, mais que o dobro de qualquer ano anterior da série.
Em 2025, foram registrados 62 sinistros, 17 acidentes graves, cinco mortes e 74 pessoas feridas. A PRF contabilizou dois atropelamentos de animais no trecho analisado. Em 2026, até 26 de maio, haviam sido registradas 26 ocorrências. O inspetor destacou o impacto dos números: “Para quem olha apenas o gráfico, pode parecer pouco. Mas para as famílias que perderam alguém nesses acidentes, é um absurdo”, afirmou.
Somente em 2025, a PRF registrou 9.220 autuações na rodovia. O excesso de velocidade lidera a lista de infrações, seguido por irregularidades em equipamentos obrigatórios e desobediência à fiscalização. O chefe da 3ª Delegacia da PRF citou possíveis fatores para a situação, como o aumento da circulação de caminhões de minério de Corumbá e a mudança do fluxo turístico para Bonito após a pavimentação da MS-345. Ele ressaltou que essas são hipóteses baseadas na observação operacional, não em estudos específicos.
Os dados foram apresentados durante audiência pública proposta pelo vereador Sargento Cruz (PP-MS). Segundo ele, a mobilização surgiu de reclamações de usuários sobre o aumento de veículos pesados, congestionamentos e acidentes. Um trajeto que normalmente leva entre 1h30 e 2 horas tem chegado a durar até 3 horas. O advogado e pesquisador Tiago Vedovato de Carvalho relatou: “Eu passei por 38 caminhões às 20 horas. Cheguei na minha casa às 23h30”.
Uma comitiva esteve em Brasília em março para discutir melhorias com o DNIT. A proposta inicial era a implantação de terceiras faixas, mas a discussão passou a se concentrar na duplicação. O DNIT lançou licitação para contratação dos estudos e projetos de engenharia da duplicação do trecho entre Terenos e Anastácio, que totaliza 105,7 quilômetros. O edital foi publicado em 27 de maio no Diário Oficial da União, com abertura das propostas prevista para 17 de julho.
A contratação foi dividida em duas etapas. A primeira abrange o trecho entre o entroncamento da MS-352/355, em Terenos, e o entroncamento da MS-162, acesso a Dois Irmãos do Buriti, com 59,9 km e custo estimado de R$ 6.061.050,64. A segunda etapa vai da MS-162 até o entroncamento com a Avenida JK, em Anastácio/Aquidauana, com 45,8 km e valor previsto de R$ 5.589.817,53.
Ao final da audiência, em 29 de maio, foi elaborada a Carta de Aquidauana. O documento reúne as principais reivindicações e apoia a continuidade dos estudos para duplicação da BR-262, destacando a necessidade de ações de segurança viária, proteção ambiental e desenvolvimento regional. A carta é assinada por autoridades municipais, pesquisadores, parlamentares federais e representantes do DNIT e PRF.