Ânima compra FMU por R$ 410 milhões
A Ânima anunciou a compra da FMU por R$ 410 milhões. O pagamento será feito em duas parcelas: R$ 240 milhões à vista e R$ 170 milhões restantes em 31 de dezembro de 2029 ou três anos após o fechamento da operação, o que ocorrer primeiro.
Considerando a dívida da FMU, o enterprise value da transação foi de R$ 560 milhões, com um múltiplo EV/EBITDA de 10,6. Após as sinergias, esse múltiplo cai para 6,7 vezes. Para o Citi, o valor pago foi alto, já que a própria Ânima negocia a 3,3 vezes na Bolsa. O banco afirmou que, em um exercício de arbitragem de múltiplos, a transação sugere uma queda potencial de 36% se a empresa combinada negociasse no múltiplo atual da Ânima.
A FMU pertencia ao fundo Camp Nou, gerido pela Farallon Capital. O fundo havia adquirido o negócio da própria Ânima em 2020 por R$ 500 milhões. Na época, a Ânima comprou os ativos da Laureate no Brasil por R$ 4,4 bilhões e decidiu vender a FMU para acelerar a aprovação da transação pelo CADE.
Desde então, a FMU enfrentou dificuldades financeiras. Sua participação no mercado presencial de São Paulo caiu de 9% para 6%. A instituição passou por uma recuperação judicial, cujo plano foi homologado pelos credores em fevereiro deste ano.
O CFO da Ânima, Átila Simões, disse ao Brazil Journal que a FMU ficou muito focada na bilheteria e não no palco nos últimos anos, o que afetou seus resultados. Ele afirmou que, com os passivos reestruturados, a FMU está pronta para voltar a crescer, destacando a equipe de alto nível e a marca com reputação forte, com 58 anos de tradição e cursos em direito e saúde.
A FMU possui seis campi em São Paulo, 214 polos de EAD e 51 mil alunos. Na capital paulista, é a quinta maior universidade em volume de alunos no presencial, atrás de UNIP, Uninove e Anhembi Morumbi. Nos últimos 12 meses, a FMU faturou cerca de R$ 280 milhões, com EBITDA de R$ 52 milhões e margem de aproximadamente 20%.
A Ânima acredita que, ao entrar em seu ecossistema, a FMU conseguirá recuperar o market share perdido e dobrar a margem, convergindo para a margem operacional da companhia, que é de 42%. A CEO da Ânima, Paula Harraca, disse ao Brazil Journal que as instituições do grupo rodam com margem entre 34% e 47%. Ela afirmou que compartilhar estruturas e custos já deve gerar um ganho de margem importante para a FMU.
Paula destacou que a FMU agrega capacidades que a Ânima não possui, principalmente o conhecimento em operação digital e semipresencial, áreas com 24 mil e 4 mil alunos, respectivamente. Com o novo marco regulatório da educação a distância, aprovado em meados do ano passado, cursos de saúde, engenharia e pedagogia terão que migrar para o semipresencial. A executiva disse que isso gerará uma transformação estrutural no setor e que o timing da transação é importante para sair na frente.
A aquisição deve aumentar a alavancagem da Ânima de 2,39 vezes o EBITDA no fechamento do primeiro trimestre para cerca de 2,73 vezes. Segundo o CFO, a companhia deve retomar a desalavancagem conforme a geração de caixa e o EBITDA aumentem. A Ânima vale R$ 1,17 bilhão na Bolsa, com queda de 22% nas ações nos últimos 12 meses. Ao final do primeiro trimestre, a companhia tinha uma posição de caixa de R$ 1,8 bilhão.
