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Campo Grande torna obrigatória notificação de hepatite B e C

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande tornou obrigatória a notificação de casos de hepatite B e hepatite C por unidades de saúde públicas e privadas da cidade. A…

Por Diário da TV · · 3 min de leitura

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande tornou obrigatória a notificação de casos de hepatite B e hepatite C por unidades de saúde públicas e privadas da cidade. A medida foi publicada nesta segunda-feira (18) no Diário Oficial do município.

A resolução estabelece regras para hospitais, clínicas, consultórios e outros serviços de saúde que atendem pacientes com hepatites virais. Todos os serviços, públicos ou privados, que realizarem atendimento e acompanhamento de pacientes com hepatite B ou C deverão fazer a notificação compulsória dos casos, seguindo as normas do Ministério da Saúde.

Para pacientes da rede particular, o procedimento também passa a valer. Eles deverão apresentar uma cópia da ficha de notificação no momento da primeira retirada do medicamento no Centro Especializado de Doenças Infecto Parasitárias (Cedip) ou no Hospital Dia Professora Esterina Corsini, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

A cópia da ficha ficará retida na Unidade Dispensadora de Medicamentos, que encaminhará o documento à Gerência de Vigilância Epidemiológica da Sesau. A ausência da ficha no primeiro atendimento não poderá impedir o paciente de receber tratamento ou retirar a medicação. O serviço de saúde responsável deverá ser orientado a regularizar a notificação depois.

Segundo a Sesau, a medida busca fortalecer as informações registradas nos sistemas de controle logístico de medicamentos para hepatites virais e no Sistema Nacional de Notificação de Agravos. A resolução reforça que os serviços de saúde e as unidades dispensadoras devem alertar os profissionais sobre a obrigatoriedade da notificação.

As hepatites virais B e C são responsáveis por 95% das mortes relacionadas à hepatite no mundo. Em 2024, causaram 1,34 milhão de óbitos, segundo a Organização Mundial da Saúde. A transmissão continua, com mais de 4,9 mil novas infecções por dia, ou 1,8 milhão por ano.

Em 2024, Campo Grande ficou acima da média nacional nos casos de hepatite B e hepatite C, de acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde. Na hepatite B, a taxa nacional foi de 5,3 casos por 100 mil habitantes. Campo Grande apareceu entre as capitais com maior taxa de detecção da doença no país.

Na hepatite C, a capital registrou taxa de 12,4 casos por 100 mil habitantes. A média nacional foi de 9,1 casos por 100 mil habitantes. Campo Grande está entre as 12 capitais brasileiras com índices superiores à média do país.

As hepatites virais podem ser transmitidas por contato com sangue, relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de objetos cortantes, materiais não esterilizados ou consumo de água e alimentos contaminados, dependendo do tipo da doença. A vacina contra a hepatite B é indicada para todas as idades e integra o calendário vacinal infantil do SUS.

Para bebês, o esquema vacinal tem quatro doses. A primeira deve ser administrada nas primeiras 12 horas de vida. As demais são aplicadas aos 2, 4 e 6 meses, por meio da vacina pentavalente. Para hepatite A, a imunização é recomendada entre 12 meses e 5 anos, em dose única. Não há vacina para hepatite C. Durante o pré-natal, a testagem para hepatites virais é importante para prevenir a transmissão vertical.