Crítica: ‘Ouro de Tolo Remix’ mostra antes e depois de Ouro Preto

Ao estudar a programação da CineOP 2026 antes do festival começar, uma sinopse chamou a atenção. Por sorte, foi um dos primeiros filmes assistidos em Ouro Preto este ano, o curta-metragem de apenas 4 minutos, chamado Ouro de Tolo Remix.
A obra abre a série 1 da Mostra Contemporânea de curtas-metragens, que este ano trouxe um setlist inventivo. O filme mineiro, dirigido por Gabriel Afonso, é um convite a conhecer, de forma objetiva, um antes e depois, e os impactos culturais, da relação da cidade de Nova Lima com o ouro.
Sem quase mostrar personagens, apenas ouvindo o que a narrativa tem a dizer de forma inventiva, como se estivesse ouvindo um spot de rádio ou na garupa de algum veículo, o filme guia o espectador para um tour por aquele lugar que carrega marcas do passado de um local conhecido como a Cidade do Ouro. Esse fato chamou a atenção dos ingleses séculos atrás, que compraram a Mina de Morro Velho, que chegou a ser uma das mais profundas do mundo.
Expondo de forma criativa situações que contornam a história da cidade e chegando rapidamente em críticas sociais importantes, percebe-se uma urgência em abordar a questão da especulação imobiliária, apresentando a falta de compromisso com a função social.
Para tal, adentra uma estrada de um experimento cinematográfico, trazendo o abstrato e aumentando o volume das sensações. É um modelo narrativo que se mostra certeiro e envolvente, capaz de fazer com que cada pessoa absorva a história de formas diferentes. A Mostra Contemporânea de curtas-metragens da CineOP 2026 começa com o pé direito.