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Família vendeu tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona

Há mais de 40 anos, Massão Arakaki e Luiza Mitsuo começaram a vender verduras e tofu em uma carroça no bairro Cabreúva, em Campo Grande. O negócio improvisado de porta…

Por Diário da TV · · 3 min de leitura

Há mais de 40 anos, Massão Arakaki e Luiza Mitsuo começaram a vender verduras e tofu em uma carroça no bairro Cabreúva, em Campo Grande. O negócio improvisado de porta em porta se transformou em uma das barracas mais antigas da Feirona, a Ichiban. A receita do sobá, que entrou no cardápio mais tarde, já está na quarta geração da família.

Edilson Arakaki, filho do casal, conta que cresceu dentro da feira. Aos 9 anos, ele dormia debaixo das tendas da barraca da avó, que também era feirante. A memória mais forte que ele tem é da época em que a feira funcionava na Rua Abrão Júlio Rahe. “Em 1981, minha mãe falou para a gente fazer uma barraca só nossa”, lembra.

O negócio foi batizado de “Barraca do Massao e Luiza”. No início, vendia espetinho, sushi, pão com manteiga, sardinha e bolos. Quando o sobá chegou a Campo Grande, a família passou a preparar a receita de Okinawa. Hoje, o prato é o carro-chefe, com preços entre R$ 28 e R$ 48. O pastel custa de R$ 10 a R$ 25.

“Foi muito difícil. Meus pais começaram e era eu e minhas duas irmãs que ajudávamos”, diz Edilson. Ele conta que, antes de a cidade ter shopping, as pessoas saíam de madrugada para comer sobá na feira, que acontecia duas vezes por semana. “Era 24 horas de feira. A receita do nosso sobá é de família, o pastel também.”

Em 1994, depois de voltar do Japão, Edilson mudou o nome da barraca para Ichiban, que significa “número 1” em japonês. Ele conta que queria dar um caráter mais profissional ao negócio. “Antes era só ‘barraca de não sei do quê’, queria fazer algo diferente”, afirma.

Os pais de Edilson tocaram o negócio até 1995. Depois, os filhos assumiram a administração. Hoje, a barraca tem 20 funcionários e oito membros da família trabalhando, incluindo sobrinhos, que representam a quarta geração. “Agradeço meus pais pelo legado. Se tem, é porque alguém começou lá atrás”, diz Edilson.

História em mural e atendimento familiar

Na entrada da barraca, um mural conta a história da família. Quem mostra as fotos é Juscelino Shiroma, conhecido como Senhor Myagui. Ele entrou na família ao namorar Maura e hoje trabalha na Ichiban há mais de 15 anos. Antes, ele também era feirante e vendia carne. “Faço de tudo na produção, atendimento e recepção”, conta.

Myagui diz que o segredo para manter a barraca cheia é o atendimento. “A recepção é o que conquista. O patrão recebe os clientes, para eles é muito gratificante.” Ele lembra que, na época da feira de rua, usavam lampião a querosene.

Gustavo Shiroma, sobrinho de Edilson, é da quarta geração. Ele foi criado na feira e viu o último dia dela na rua, antes da mudança para a Rua 14 de Julho. “Tem uns 34 anos de feira desde quando era na rua. O que me mantém aqui é a alegria de encontrar as pessoas, saber o que o cliente gosta”, afirma.

Gustavo ressalta que a barraca sempre se modernizou, mas manteve o sabor dos pratos. Há três anos, passou por uma reforma que incluiu exaustores na cozinha e uma divisória transparente para o público ver o preparo. “Manter a barraca tem um peso, porque carregar a história são muitos anos de tradição”, conclui.