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Neta descobre acervo de dança doado pela avó ao MIS de MS

A neta da professora Sarah Abussafi Figueiró descobriu um acervo histórico sobre a dança em Mato Grosso do Sul que a própria avó havia doado ao Museu da Imagem e…

Por Diário da TV · · 2 min de leitura

A neta da professora Sarah Abussafi Figueiró descobriu um acervo histórico sobre a dança em Mato Grosso do Sul que a própria avó havia doado ao Museu da Imagem e do Som (MIS). Maria Fernanda encontrou a informação ao pesquisar materiais para criar o espetáculo “Chafica”, em homenagem à avó. Ela localizou uma manchete de 2002 que anunciava a doação.

A curiosidade levou Maria Fernanda até o museu. O que seria uma consulta para pesquisa se transformou em um projeto de preservação da memória da dança sul-mato-grossense. “Minha avó nunca chegou a comentar comigo sobre essa doação. Descobri esse gesto de cuidado por meio de uma reportagem de jornal”, relembra.

A iniciativa foi aprovada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O projeto resultou na digitalização de documentos históricos, folders, registros administrativos e cerca de 33 horas de vídeos armazenados em fitas VHS. Agora, o material ajuda a preservar a trajetória de artistas, professores, coreógrafos e produtores que construíram a dança no Estado.

Durante o processo, Maria Fernanda percebeu uma coincidência. Ela assinou o termo de empréstimo das fitas VHS em 7 de agosto de 2025. O documento de doação assinado por Sarah estava datado de 6 de agosto de 2002. Vinte e três anos e um dia separavam os dois momentos.

“Foi emocionante perceber que, duas décadas depois, eu estava voltando à mesma instituição para dar continuidade ao gesto iniciado por ela”, conta.

Filha de imigrantes libaneses, Sarah Abussafi Figueiró nasceu em Campo Grande. Ela foi professora de artes e a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança (ASMPD). Esteve à frente dos 13 primeiros Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança, realizados entre 1985 e 1998. Também participou da fundação da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Campo Grande.

Entre os materiais preservados estão registros dos festivais, que reuniram grupos de diferentes regiões do país. Pelos palcos passaram nomes como Cisne Negro, Ballet Stagium, Grupo Raça, Quasar Cia. de Dança e Ballet Paula Castro. Um dos documentos encontrados guarda uma mensagem de Carlinhos de Jesus para Sarah, escrita durante a 13ª edição do festival, em 1998.

Todo o material digitalizado está reunido em uma plataforma. A ideia é que o espaço continue recebendo novos documentos. Para Maria Fernanda, preservar esse acervo não é apenas olhar para trás. “Sem memória, nossa atuação artística empobrece. Precisamos conhecer quem veio antes de nós”, afirma.