Netflix quase cancelou docussérie sobre Michael Jackson por medo de processo

A nova docussérie sobre Michael Jackson, intitulada 'Michael Jackson: O Veredito', já está disponível no catálogo da Netflix. De acordo com informações da Variety, a plataforma quase desistiu do lançamento uma semana antes da estreia por medo de retaliações. Uma fonte anônima envolvida na produção afirmou que seria constrangedor retirar a série após a divulgação do trailer.
Executivos da Netflix estavam inseguros nos dias que antecederam a estreia. O principal receio era uma batalha judicial com o espólio de Michael Jackson, conhecido por sua postura agressiva na Justiça, além da forte reação dos fãs do artista. Uma fonte reforçou que o medo era maior em relação a um processo do espólio do que da reação dos fãs.
Em resposta, um porta-voz da Netflix negou o recuo em nota oficial. A nota afirma que as alegações de que a plataforma reconsiderou o lançamento ou mudou seus planos devido a pressões externas são incorretas. A série estreou conforme programado e permaneceu entre os dez títulos mais assistidos da Netflix durante três semanas.
A cautela da Netflix tem motivo. Em 2019, o espólio do cantor processou a HBO por causa do documentário 'Leaving Neverland', conseguindo a remoção do longa do catálogo do HBO Max em 2024. Em 2018, a família abriu uma ação contra a ABC por 'The Last Days of Michael Jackson', caso que terminou em acordo extrajudicial.
Até o momento, a Netflix não recebeu nenhuma notificação judicial. O espólio do cantor não respondeu aos pedidos de comentário. A plataforma se incomodou com a tempestade de e-mails de protesto, mas descobriu que parte significativa das mensagens foi disparada por bots automatizados, o que aliviou a pressão interna.
Uma petição no Change.org exigindo a remoção da série ultrapassou 188 mil assinaturas. Usuários em fóruns como o Reddit relataram ter cancelado suas assinaturas em protesto. Para conter os danos, a Netflix adotou medidas de contenção de crise, como anunciar o projeto apenas duas semanas antes da estreia e proibir cabines de imprensa antecipadas.
A produção ficou a cargo da Candle True Stories, com produção executiva de Fiona Stourton e James Goldston, além de David Herman como showrunner. O julgamento criminal, realizado na Califórnia em 2005, centrou-se nas denúncias de que o cantor teria abusado sexualmente de um menor no Rancho Neverland. Michael Jackson foi considerado inocente de todas as 10 acusações criminais.
Dividida em três partes, a série tem direção de Nick Green e adota uma abordagem investigativa. A narrativa é conduzida por relatos de figuras-chave envolvidas no tribunal. A produção conquistou 78% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes, mas apenas 6% de aprovação do público no site.

